Segundo a Divisão de Fauna Silvestre da cidade de São Paulo, em média quatro mil animais são capturados por ano na capital paulista. É mais comum que esses encontros aconteçam em casas, em prédios comerciais e apartamentos residenciais, o que torna a remoção mais difícil. Essa situação também acontece nos municípios do ABC.
Em Santo André, foram registradas 389 capturas em 2022, feitas pelo Departamento de Bem Estar Animal, da Secretaria do Meio Ambiente do município. A maior incidência foi da espécie gambá-de-orelha-preta, com 161 resgates. No entanto, a lista de animais encontrados é muito maior e vai de cobras até tucanos, por exemplo. Após o resgate, bichos doentes ou machucados são encaminhados para o Parque Tecnológico do Tietê, em São Paulo, e para o Parque Estoril, em São Bernardo. Os que estiverem saudáveis são devolvidos ao seu habitat natural.
O biólogo Peterson Lopes, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, em São Paulo, afirma que o crescimento das cidades e a escassez de árvores e de vegetação natural têm um papel essencial nesses aparecimentos. “Os animais estão perdendo seus habitats e se adaptam à cidade para conseguir sobreviver, podendo transmitir doenças ou atacar as pessoas. É tão ruim para eles quanto para nós.”
Mas afinal, o que a população deve fazer ao encontrar um animal silvestre dentro de casa? A recomendação do biólogo é não tentar capturá-lo sozinho. “O animal pode se sentir ameaçado. Também não é recomendável fornecer alimentos ou água.”, diz. No caso de São Bernardo, o correto é ligar para o Corpo de Bombeiros, para o Centro de Zoonoses, ou para a Polícia Militar Ambiental. Também não é recomendável fornecer alimentos ou água. Contudo, obter ajuda dos órgãos competentes nem sempre é tão simples e rápido.
Em São Bernardo, é difícil contatar o Corpo de Bombeiros ou o Centro de Zoonoses da cidade, principalmente em feriados e finais de semana. Sem conseguir falar com a unidade competente, o morador muitas vezes têm que lidar com um animal silvestre dentro da sua moradia por vários dias.
A professora Cristina Maria Moreira, moradora no bairro Baeta Neves, afirma que já teve problemas para retirar morcegos que estavam dentro da sua residência. “Um dia ouvi barulhos estranhos e encontrei dois morcegos no sótão da casa. Liguei para os bombeiros, que só vieram dois dias depois e levaram dez minutos para fazer a remoção. O serviço é rápido, é simples, mas a demora até eles virem me incomodou bastante.”
Em nota, o Centro de Zoonoses de São Bernardo afirma que o seu papel é o de cuidar da prevenção e do controle dos animais na cidade e realiza apenas serviços como campanhas de vacinação, controle de doenças, palestras informativas em escolas e instituições. Reitera que não remove bichos mortos nas ruas, nem os silvestres nas residências. Também não presta serviço clínico veterinário e não abre nos finais de semana nem nos feriados. Na nota de imprensa, o órgão municipal afirma em casos de remoção de fauna silvestre o Corpo de Bombeiros deve ser acionado.
No caso de morcegos, que podem transmitir raiva, o biólogo Peterson Lopes, explica que os mamíferos voadores costumam entrar nas moradias por diversas razões. “São cerca de 100 espécies que podem ser encontradas nas cidades. A maior parte dos morcegos se alimenta de insetos e esse pode ser um fator de atração das residências. Além disso, eles são sensíveis à luz, então buscam lugares com menos iluminação. Também não gostam de lugares barulhentos e acabam entrando em locais fechados de madrugada.
Segundo o especialista, tanto os órgãos responsáveis quanto a prefeitura da cidade precisam agir com mais celeridade. “Os bombeiros e a Guarda Ambiental precisam ser mais ágeis e atenciosos com os moradores. Além disso, as cidades precisam adotar medidas de proteção ambiental para que o número de animais silvestres nos centros urbanos diminuam, como reflorestamento e diminuir a contaminação do meio ambiente.
Serviço
Departamento de Bem Estar Animal de Santo André: (11) 4433-1952
Centro de Zoonoses de Santo André: (11) 3356-9075
Centro de Zoonoses de São Berrnardo: (11) 4365-3349
Centro de Zoonoses de São Caetano do Sul: (11) 4231-3938
Corpo de Bombeiros: (11) 4125-1234
Polícia Militar Ambiental: (11) 5898-5600 / (11) 5067-1813
*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.





