Cardiologistas estão atentos com o uso de cigarros eletrônicos entre jovens

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O combate ao uso do cigarro eletrônico vai ganhar destaque durante o 43° Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), realizado entre os dias 8 e 10 de junho. O evento terá a apresentação de um estudo que mostra que a quantidade diária de nicotina encontrada no organismo de adeptos do cigarro eletrônico é 20 vezes superior ao consumo de cigarros convencionais.

Segundo a pneumologista Cristina Martins, é um mito dizer que o consumo de cigarros eletrônicos seja menos prejudicial do que os comuns. “As duas formas de tabagismo fazem mal à saúde, pois ambas contém nicotina, que causa câncer, dependência e outras doenças pulmonares.” A médica completa dizendo que não há diferenças significativas no ponto de vista pulmonar entre os dois.

Desde 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibe a comercialização, importação, propaganda e consumo de qualquer dispositivo eletrônico para fumar. Porém, ainda é comum se deparar com a venda de cigarros eletrônicos como vapes (cigarro recarregável) e pods (produtos descastáveis) em lojas e principalmente festas nas regiões metropolitanas do país, como o ABC paulista.

Segundo o estudo Relatório Covitel, de 2022, um a cada cinco jovens entre 18 e 24 anos fazem uso regular de cigarros eletrônicos no Brasil, ou já fizeram. Um destes jovens é Caio Barros, 20, estudante de Engenharia e morador de São Bernardo. Ele conta que começou a utilizar vapes durante festas há dois anos. ” Antes eu só fumava socialmente, mas agora fumo quase todos os dias. Eu sei que é ruim para a saúde e sempre digo que vou tentar parar com o vape, mas nunca tento realmente.”

Além dos perigos para os pulmões, o médico cardiologista Marco Seixas, de São Paulo, explica que o fumo também é uma das principais causas evitáveis de doenças cardíacas. “A prática do tabagismo aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de várias condições cardiovasculares graves como ataques cardíacos, AVC, hipertensão arterial e insuficiência cardíaca.” O médico ressalta que o uso prolongado de cigarro também pode causar outros danos no organismo, como aumento da pressão arterial e lesões nas artérias.

A pneumologista Cristina Martins conta que além das doenças em comum com os cigarros convencionais, os dispositivos eletrônicos podem levar o consumidor a óbito. “O cigarro eletrônico pode causar uma doença chamada Evali, que causa uma lesão pulmonar aguda e pode levar a morte.” Ela complementa dizendo que o fato dos cigarros eletrônicos serem proibidos dificulta o tratamento de quem adquire essa doença, pois eles não possuem regulamentação, então não é possível determinar a quantidade exata de substâncias encontradas em cada produto.

Alice Castro, 23, é vendedora e reside em Diadema. Ela conta que já fez uso de cigarro de papel e de cigarro eletrônico durante três anos. “Faz quatro meses desde que fumei pela última vez. Houve um período que eu fumava o cigarro convencional e o eletrônico também. Decidi parar de fumar após ir ao médico e perceber alguns dos problemas que isso poderia causar.”

Cristina Martins diz que trocar o cigarro de papel pelo cigarro eletrônico não é recomendado para quem deseja parar com as prática. “No Brasil temos os adesivos, as gomas de mascar e as pastilhas de nicotina. Esses são métodos que ainda fornecem a substância, mas não causam dependência e reduzem o desejo de fumar.” A pneumologista completa dizendo que se essas medidas não foram suficientes, o mais recomendado é buscar tratamento com médicos especializados.

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

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