Bancas de jornais se tornam mini mercados

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Queda nas vendas de jornais e revistas geram adaptações
 

As tradicionais bancas de jornais se transformaram em mini mercados. Nesses espaços, que antes eram destinados a vender jornais e revistas, o consumidor pode encontrar doces, bonés, brinquedos, cartões de memória e até cigarros.

Os donos dessas bancas apontam várias razões para terem diversificado sua mercadoria. Uns culpam a compra online. Outros, a concorrência de supermercados, que agora também viraram bancas e vendem jornais e revistas. E há também a necessidade de manter o faturamento, considerado baixo se dependesse só da venda de publicações.

Reginaldo Pereira, 47, que abriu sua banca em 2010 na rua Itambé, em Santo André, fala que as vendas sempre variam e, para evitar isso, o jornaleiro tenta incrementar sua banca.

“Coloco salgadinho, água, refrigerante, suco, fones de ouvido e até pilhas para auxiliar na minha renda”. Jornais e revistas continuam sendo os principais produtos, mas o que mais rende são as recargas de celular.

Outro proprietário que diversificou seu mix é Rodrigo Mourão, 41. Quando assumiu, o negócio era uma livraria. Mas, por estar perto de um ponto de ônibus, na rua Coronel Alfredo Flaquer, resolveu comercializar outras mercadorias, como brinquedos, bonés, doces e cartões de memória. Sua banca tem até uma copiadora.

Mourão fala que tudo vende, menos as revistas. “As revistas não têm saída, estão aqui mais de meses e só são recolhidas pelo fornecedor. O que mais costuma sair mesmo são balas, guarda-chuva, uma variedade de produtos, exceto as revistas”.

Nem jornal Mourão vende mais. De fato, o hábito de comprar diários impressos vem caindo. De acordo com a IVC (Instituto Verificador de Comunicação), a “Folha de S.Paulo”, o maior jornal do país em circulação, teve retração: caiu de 351.745 edições em 2014 para 335.895 edições em 2015, uma retração média de 15.850 edições.

Outras bancas também se adaptaram, como a Quitandinha, em Santo André. Osvaldo Cruz, 65, que trabalha no local, disse que deu a ideia ao dono, Ed Carlos, de vender sorvetes, além de montar uma tabacaria com os mais diversos tipos de cigarro. Há ainda brinquedos e filmes.
Cruz destaca que as bancas menores, mais comuns, de esquina, não sobrevivem mais por causa da baixa demanda. “Hoje, até os supermercados acabam falindo as bancas. As revistas colocadas no caixa atraem mais do que as próprias bancas.”

Por outro lado, algumas bancas se adaptaram por completo, como o caso da Super banca, que fica na avenida Lino Jardim, em Santo André.

No espaço há até uma lanchonete e uma agência de viagens. A reportagem foi ao espaço, mas um atendente pediu que enviasse um e-mail para os responsáveis, mas não houve retorno.

HQs

Apesar de a maioria das bancas se adaptarem, Régis Carillo, 57, dono da banca localizada na avenida Doutor Rudge Ramos, não incrementou seu estabelecimento com nenhum produto, mas se adequou à nova tendência das vendas na Internet, principalmente de história em quadrinhos. “Trabalho com banca desde 1990. Na época, vendia de tudo, mas sempre tive uma queda por quadrinhos. Então, sempre foquei nesse tipo de produto.”.

Com o Facebook, Régis decidiu criar uma conta na rede social e publicar seus produtos como uma forma de atrair e avisar seus clientes das novidades que chegavam na sua banca.

“A minha rede social no início era mais para avisar os clientes, mas acabou crescendo e fui fazendo amigos em outros Estados, alavancando mais as vendas de quadrinhos, concretizando negócios em Mato Grosso do Sul, Piauí, Santa Catarina e Ceará”, completou.

Atualmente, o dono da banca diz que jornais e revistas quase não saem e o produto mais procurado ainda são as HQs.

*Esta matéria foi produzida por alunos do curso de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

 
 

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